quarta-feira, 3 de maio de 2017

A crise alheia dos meus quase 30

Acho engraçado como o fato de eu estar bem perto dos 30 anos de idade afeta muita coisa.

Realmente, chegar aos 30 pode ser um marco, mesmo que muita gente faça disso um extremo acontecimento, pra alegria ou tristeza. É, relativamente, um bom período vivido a se considerar (se foi bem vivido é outra história). Talvez alguma maturidade adquirida, alguma experiência, algumas histórias, ou não.

E, os 30 chegando ou não, cada pessoa tem seu estilo de vida, de ser, vestir ou se comportar. Mas isso não pode e nem deve ser da conta de ninguém, muito menos "incomodar" alguém.

Mas claro, não vou ser extremista de dizer que ninguém pode falar nada da minha vida e acabou. Não sou assim. Dependendo de quem for, uma dica, um conselho, uma sugestão é sempre bem-vinda. Mas o que venho ruminando por esses dias é sobre essa tal mulher de negócios que "preciso" me tornar, como disseram, pois não sou mais nenhuma menina pra continuar vestindo meu All Star tranquilamente pra trabalhar em alguns dias da semana.

Não entendi muito bem essa "mulher de negócios" que o corporativo exige. Mulher de negócios não é uma mulher que trabalha com negócios? Ou tem uma fórmula, receita, uniforme pra parecer uma?

Injusto você não ser levada a sério se não estiver de terninho, scarpin, escova no cabelo e uma maquiagem leve. Não que eu seja contra a esse modelo, mas não existe apenas a "bela, recatada e do lar", existe aquela que se sente mais confiante usando uma jaqueta de couro ou jeans, uma sapatilha, ou um tênis no dia a dia.

Novamente, não vou ser extremista de dizer que eu vou vestir o que eu quiser, onde quiser e que o mundo me aceite assim, se não quiser, tchau. Sei que existem as ocasiões pra tudo. Compreendo tudo isso, não sou idiota. Mas acho engraçado os meus 29 anos de idade, somado ao meu All Star (ou tênis mais informal, como na foto), ir trabalhar, incomodar ao ponto de esse elemento entrar no meu PDI (processo de desenvolvimento individual). Ainda se a empresa tivesse essa "exigência" vestual, ok mas não, é só meus quase 30 mesmo. Até porque, realmente, as minhas roupas são da Juliana de 5/3 anos atrás porque ainda não con$egui reformar meu guarda-roupa, estou indo aos poucos.


Não que eu não possa encarar isso como um "empurrãozinho" para evoluir, mas a contar da quantidade de vezes que eu ouvi "nossa! ela passou esmalte!" como se fosse um evento, ou se eu me vestisse desajeitada, relaxada e afins, eu poderia considerar esse empurrãozinho de maneira mais agradável e não levemente pressionada.

Enfim, os meus quase 30 afeta muita coisa, mais ao meu redor, do que a mim mesma..

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O que (acho que) aprendi em 2016

Um ano com tantos acontecimentos, tantos momentos e pessoas marcantes que dá pra tirar algumas lições dele. Todo ano, na verdade, tiramos várias lições, mas 2016 em especial houve uma quantidade significante de momentos que valem a pena serem mencionados.

Acho que a principal lição que pude aprender neste ano, que é uma lição a ser aprendida desde sempre, é: o Respeito. O respeito ao próximo, ao diferente. Você pode não concordar com a ideia, estilo de vida, crença ou opção sexual da pessoa, mas você deve respeitar essa pessoa e as suas decisões tomadas.

Com o ataque em uma boate frequentada pelo público gay em Orlando nos EUA, os ataques terroristas em vários lugares do mundo reivindicado pelo Estado Islâmico com tantas mortes, recentemente na Alemanha, que sentenciaram as pessoas a morte por elas não seguirem o que eles julgam certo ou "decente", eu aprendi que não posso julgar e sentenciar alguém por ser diferente, não posso obrigar ninguém a ser como eu, assim como ninguém pode me obrigar a ser como outro alguém.

Com Luiz Carlos Ruas, aprendi que, no fundo, ainda resta humanidade, algo que vale a pena acreditar, o respeito ao ser humano. Em contrapartida, aprendi que ainda existem monstros vivendo sob pele humana, que fazem o que bem quer e acham que estão certos. Mais uma vez o respeito em pauta, no caso, a falta dele. O que é nojento de pensar, pois, como alguém se acha tão melhor ou "mais correto" que o outro a ponto de sair fazendo o que dá na cabeça, achando que está fazendo certo?

Com as perdas, de famosos ou não, aprendi que nunca é tarde mesmo sempre sendo tarde. Nunca é tarde para dizer que se importa, para tentar ser feliz, mesmo que sempre é tarde e o amanhã pode não vir mais.

Com a internet aprendi que nem sempre posso ter uma opinião, caso ela seja diferente, ou não aceita pela maioria. Muitas vezes não posso ter princípios, se isso ofende a opinião de outra pessoa mas ela pode ferir os meus princípios e opinião. Depende do que se trata.
Opinião, princípio, estilo de vida, nunca vai agradar todo mundo, e alguém, por escala, pode se sentir incomodado ou ofendido. Mas é tudo uma questão de respeitar os dois lados, de bom senso de todos. Você pode, inclusive não concordar com isso.
Mas também aprendi que se, você sabe que VAI ofender alguém, porque não evitar esse tipo de situação?

De fato, a palavra que mais se fez presente, tanto pela presença quanto pela enorme ausência, foi Respeito. Muita gente pra aprender o que significa, pra por em prática o significado, alguns por saber o significado, e por aí vai...



Foto: algum tumblr que não achei o dono

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Não mais infinito enquanto dure...


Me lembro de quando era criança, pré-adolescente, ler pela primeira vez o Soneto de Finalidade do Vinícius de Moraes na escola e, nesse soneto, algo me chamou muita atenção: "infinito enquanto dure" porque eu pensava 'como algo pode ser infinito e acabar?'

Depois que a gente vai crescendo, a gente vai tentando entender muita coisa (nem sempre entende né, mas...) e eu compreendi, na minha própria interpretação (a beleza da arte é essa, não é?) que "ser infinito enquanto durar" é que, mesmo se um dia acabar aquele sentimento, para ambos ele era infinito, ele não tinha a sensação de pouco ou de não ser o suficiente, seria infinito até o dia que não houver mais.

Hoje, eu vejo muitas pessoas entrando em relacionamentos, seja amizade, romance... com um o argumento de "se não der certo, separo". Como assim "se não der certo"? Nem começou e já existe o pensamento do fim?

É claro que todas as coisas têm a possibilidade de não dar certo mas nem por isso pensamos em não tentar ou 'quando' acabar. Se fosse assim, a gente não sairia do lugar, da nossa zona de conforto ou não seguiria na vida, pois existe a chance de eu perder o ônibus, de perder a hora... Não estou comparando um relacionamento com essas situações até porque um relacionamento é bem mais precioso e por isso, ao meu ver, merece mais importância.

Parece que hoje em dia, está muito fácil desistir das pessoas, basta as relações darem um pouco de trabalho ou não ser o que queria/esperava, que ninguém quer mais. Na vida nem tudo sai como a gente espera e uma relaçã
o precisa ser moldada, estruturada para que ambos tenham reciprocidade.

Podemos, sim, recomeçar quantas vezes for preciso se não der certo, devemos recomeçar quantas vezes acharmos necessário, mas eu acho que não devemos deixar de lado a sensação de fazer valer a pena, essa frase está ficando bem cliché, não é? Mas a sensação de infinito não deve ser esquecida, seja na sua carreira profissional, faculdade, amizade, namoro, casamento, etc...

Que tudo o que você, eu formos agregar a nossa vida, seja sempre infinto enquanto dure...



Foto: http://pesasepalavras.tumblr.com/

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Vamos falar sobre estupro?

Vamos, sim!

Infelizmente, ao contrário do que se espera, o assunto estupro está cada vez mais presente na vida das pessoas. São cada vez mais notícias e situações que vemos, lemos e ouvimos. Uma mulher é estuprada a cada 11 minutos no Brasil, é o tempo que você demora pra tomar banho, comer um lanche, sei lá.

Crescemos em uma sociedade naturalmente machista, isso não vem de agora, é desde sempre e, por essa cultura, o comportamento das pessoas é sempre colocar a culpa na vítima, "quem mandou beber demais", "quem mandou usar roupa curta e decotada", "quem mandou não estar estudando ou em casa"... são infinitas "justificativas" para uma vítima ser violentada, claro, porque qualquer ação sem o consentimento da pessoa, é violência.

O que precisa ser esclarecido, mudado é essa ideia de que estupro tem justificativa, a única justificativa que eu encontro é que a pessoa que comete é um monstro, porque dizer 'animal' é ofender os animais, que têm mais decência. 

Uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 58% dos brasileiros acreditam que haveria menos estupros se a mulher soubesse se comportar, como se o cara está tranqüilo no seu canto e, pelo simples fato da mulher estar com um shorts curto, surge uma vontade incontrolável do nada de forçá-la a ter relação sexual com ele (sem contar prováveis espancamentos). Isso não existe, se o cara se sentir excitado, que resolva seus problemas de outra maneira mas NUNCA com violência.

As pessoas precisam ter consciência de que NADA justifica um estupro, absolutamente NADA.

Ninguém merece ser estuprado, ninguém merece sofrer esse tipo de violência. Não estamos falando de receber cantadas na rua, o que vem a ser um incômodo, e sim de uma violência pura. Sem contar que nem sempre a vítima está de roupa curta, as vezes ela está no trabalho, escola, faculdade, igreja, é criança, deficiente, bebê... e mesmo assim, é estuprada.

Precisamos parar de culpar as vítimas por uma barbárie desta.
Precisamos ensinar, desde criança, que o homem, menino, adolescente deve respeitar a mulher, menina, adolescente. Como já vi várias vezes, "em mulher não se deve bater nem com uma rosa".
Precisamos parar de fazer piada de que a mulher gostou de ter feito isso.
Precisamos parar de ser tão baixos e nos tornarmos mais humanos, nos colocando no lugar da vítima, o que se chama empatia.
E lembrar, ninguém jamais merece ser estuprado...