Afinal, até que ponto você pode fazer escolhas sem que os outros te façam pagar a conta?
Pessoas folgadas e sem noção existem em todos os lugares e nas mais variadas situações. O problema é quando elas começam a interferir nas suas escolhas — aí a coisa complica.
Você se torna refém de certos comportamentos para evitar conflitos desnecessários. Sim, eu poderia convidar quem eu quiser pro meu aniversário sem ter o peso de deixar alguém de fora. Mas não é assim que funciona na vida real. Sempre tem alguém que se sente no direito de cobrar: "Nossa, por que não me chamou?"
E olha que eu vejo o tempo todo as pessoas saindo com seus grupos de amigos e não sou chamada. E tá tudo bem. Não cobro nada de ninguém, porque cada um tem suas afinidades. Mas parece que esse entendimento não é mútuo.
Isso acontece muito com convites, mas não só. A verdade é que qualquer escolha sua pode virar alvo de palpite quando você menos espera. Por exemplo:
"Não vai casar, não? Tá namorando há tanto tempo!"
"Quando é o casamento? Quero ir!"
"Tá gastando muito" (ou o oposto: "Só trabalha e não aproveita a vida")
"Se não tiver filhos, quem vai cuidar de você?"
"Não vai procurar um emprego melhor?"
E o que mais cansa é perceber que essas perguntas vêm, na maioria das vezes, de pessoas com quem você nem tem tanta intimidade. Quem é realmente próximo já sabe da sua história, já conhece suas razões — e, por isso mesmo, não fica cobrando satisfação.
Mas aí vem a questão: quando foi que eu dei essa liberdade?
Porque, no fundo, eu sei que nunca dei. Sempre fui educada, paciente, talvez até receptiva demais. Mas ser uma pessoa tranquila não é um convite aberto para opinarem sobre minha vida. Só que, pra algumas pessoas, basta um dedo estendido pra quererem o braço inteiro.
E é aí que você descobre que existem dois tipos de preço a pagar.
O primeiro é o preço de moldar sua liberdade. É quando você começa a calcular cada passo pra não ter que se justificar depois. Quando esconde que vai a algum lugar, omite um plano — tudo pra evitar o desgaste de ouvir um palpite ou enfrentar uma cobrança. Você até pode escolher, mas escolhe sabendo que vai pagar a conta depois: com explicações e com estresse. É uma negociação silenciosa com a falta de noção alheia.
O segundo é o preço de retirar esses conflitos da sua vida. É quando você olha para o custo de manter certos vínculos e decide: "Não vale mais a pena." E se afasta. Mesmo sabendo que vai pagar ainda com algum comentário ou indireta (ainda mais se pessoa for do convívio de pessoas que você convive) e ainda assim taca um F*d@-$& enorme pra isso.
Eu admiro quem tem essa coragem. Porque, confesso, ainda não consigo. Pelo menos não totalmente.
Talvez um dia eu aprenda a determinar a minha própria conta.

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